“BRASÍLIA, Capital de Esperança”
“Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país.” Lucio Costa, Memória Descritiva do Plano Piloto.
"Eu me lembro quando eu fiz o Palácio do Planalto. No Palácio do Planalto eu queria fazer as colunas muito finas, eu sabia que o apoio acabava aqui, que isso aqui podia ser posto de lado, mas eu queria essa forma, achava que essa forma ficava mais festiva, que era mais bonita, que ela criava para quem passava entre elas pontos de vista diferentes ." - Oscar Niemeyer.
Após uma década, o tema Brasil volta ao centro da Expo-Cc. Em 2000, nas comemorações dos 500 anos do início da colonização portuguesa no Brasil, abordamos “ Brasil mostra a tua cara”, epíteto da música de Cazuza (*). Naquele ano, os estudantes ceceístas refletiram o nosso país. Trazemos para o tema deste ano “ Brasília, capital de esperança ”(**), nas comemorações dos 50 anos de fundação desta deslumbrante e monumental cidade. Estamos abrindo espaço para contar a saga de Brasília com de palestras, encontros, apresentação de imagens, leituras...
Brasília além de uma cidade é o Distrito Federal e a terceira Capital Federal do Brasil, o coração administrativo e político. Outras duas: Salvador (1549-1763) e Rio de Janeiro (1763-1960) já sediaram o governo central. A ideia de instalar a nossa capital no centro geográfico é antiga. Dom Bosco (1815 – 1888), santo católico italiano, em um sonho, vê entre os paralelos 15° e 20° do Hemisfério Sul, um lugar de muita riqueza, próximo a um lago. Esse lugar é atribuído por alguns intérpretes à Brasília, motivo pelo qual São João Bosco é um dos padroeiros da cidade A primeira Constituição Federal republicana, de 1891, contemplava oficialmente esta intensão.
O plano urbanístico da capital modernamente avançado, conhecido como " Plano-Piloto " – lembra um pássaro de longa asas -, foi elaborado pelo urbanista Lúcio Costa (1902-1998), (***) que, aproveitando o relevo do Planalto Central, dominado por grandes extensões planas e elevadas coberta pelo cerrado, o adequou ao projeto do lago Paranoá, concebido em 1893 pela Missão Cruls. Muitas das construções da Capital Federal, tais como Palácio da Alvorada, Congresso Nacional, Catedral, superquadras homogeneas e vias expresssas saíram da prancheta do renomado arquiteto Oscar Niemeyer (1907- ), diretor de arquitetura e urbanismo da Novacap. Obra iniciada em 1956, foi construida em 41 meses (três anos e quatro meses) por trabalhadores de vários recantos do país, os candangos, muitos nordestinos e dentre estes, dezenas de cascavelenses que aceitaram o aceno governamental e foram compartilhar deste desafio em 1958, colocando com sua mãos tijolos ajudando a contruir o planalto central brasileiro. A capital foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960 – há cinqüenta anos - e a Unesco declarou, em 7 de dezembro de 1987, esta cidade patrimônio histórico da humanidade.
Não se pode omitir que o “desenvolvimentismo” de Juscelino Kubitschek (1956-1961), um sonho, um plano destemido, dinâmico e ousado de interiorização que levou com lucidez a capital para o centro do país, avançando para os sertões e mudou algumas paisagens do Brasil. Reconhecemos que devemos sempre refletir com brasilidade e patriotismo, vislumbrando um futuro com trabalho, determinação, otimismo e união, é o que se espera de uma grande nação. É importante deixar de lado o centralismo geográfico velado, onde as regiões Sul e Sudeste são preponderantemente conhecidas na mídia e até nos livros escolares como “Brasil”. Lembrar que a colonização brasileira começou no litoral, onde nossos avós habitaram, por quase três séculos, viviam como caranguejos habitando as praias e demoraram avançar para o sertão expandindo os domínios da nacionalidade.
Brasília é a síntese de todos nós brasileiros, independente da origem, da raça, da região, da religião, da riqueza, do saber... A nossa capital, equidistante dos centros urbanos e capital da federação, está no centro da nossa mãe-Pátria verde e amarela!
Notas:
(*) Composição: Cazuza / Nilo Romero / George Israel.
(**) “Brasília, Capital de Esperança” é o título do Hino de Brasília-DF. Letra de Capitão Furtado e Música de Simão Neto: “ Em meio a terra virgem desbravada/ na mais esplendorosa alvorada...”
(***) Seguindo teorias do movimento moderno, Lucio Costa colocou no Plano Piloto ideias representativas do urbanismo da época. Estrutura linear: o desenho de Brasília “nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz(Memória Descritiva do Plano Piloto, de Lucio Costa, 1957)”. O esquema de cidade linear havia sido proposto por Arturo Soria y Mata para Madri, em 1882. Funcionalidade: a Carta de Atenas, escrita pelo arquiteto franco-suíço Le Corbusier em 1933, dava à cidade as funções de habitar, trabalhar, circular e cultivar o corpo e o espírito. O eixo rodoviário (circular) do Plano Piloto ficou atrelado ao habitar, e o eixo monumental, ao trabalho e lazer. Acesso em 20.fev.2010> http://casa.abril.com.br/brasilia/historia/plano-piloto-brasilia.shtml
Cascavel, 30 de Março de 2010
Evânio Reis Bessa - Diretor Pedagógico